segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A desinformação prejudica as Doações

Neste fim de semana, pude ajudar em tempo integral me tornando um voluntário na causa social que é restabelecer o mínimo de dignidade para as pessoas e para o ambiente em que vivemos e convivemos em nossa cidade, nisso, incluo os animais que são os nossos amigos o ano todo, e neste momento de sofrimento, não podendo estes ter o dom da palavra para pedir ajuda, precisam mais do que nunca de nós.

Nestes dias, convivi com diversas representantes de entidades e pessoas ligadas a vários setores que estão atuando nesta causa solidária as vítimas diretas e indiretas no desastre que aconteceu na semana passada na região Serrana.

Percebi três coisas fundamentas:

1º A solidariedade humana é muito grande, maior do que podemos imaginar.

É tanta coisa chegando à cidade, caminhões, caminhonetes, carros de passeio, voluntários locais e vindas de vários outros lugares do país para poder ajudar que é quase impossível mensurar quantas pessoas se envolveram e estão estendendo a mão, seja em forma de doação, prestação de serviço voluntário ou mesmo um ombro ou um sorriso para tentar apagar um pouco do sofrimento das lembranças destes que sofreram na pele toda catástrofe sem precedentes na história do Brasil.


2º A falta de informação para o destino de doações.

Muitas pessoas estão chegando à cidade sem saber para onde devem se encaminhar com a carga que estão trazendo em seus veículos.

Muitas pessoas chegam a cidade, arrecadando doações por ouvirem dizer que a situação X ocorreu desta forma e necessitam de tais coisas, porém, a situação X ocorreu de outra forma, e a necessidade na verdade é outra. Sendo assim, sua carga não se torna útil para a quem se pretendia ajudar.

Desta forma esta carga pode ficar em um local onde o foco de atendimento não consegue encaminhar a doação para os necessitados de direito.


3º Falta de escrúpulos entre Necessitados e Aproveitadores

Como distinguir um necessitado de um aproveitador? Como reconhecer se a doação está indo para a pessoa certa e não para o aproveitador?

Isso é muito complicado, pois muitas pessoas de posse também perderam tudo, então, você não pode negar alimento, roupas e etc para pessoas que antes do desastre, nos dava a impressão de ter muito dinheiro.


Ouvimos relatos de pessoas que vão a locais de doação, mas chegam lá e querem escolher o que vão receber.

# Quem necessita escolhe ou simplesmente agradece?

Outros relatos dizem que entidades chegaram a determinados locais e saíram distribuindo o que havia no caminhão para quem passasse, porém, os necessitados reais, estavam em um ponto mais afastado e não puderam se beneficiar com a doação.

#Cadê o escrúpulo dessa pessoa que recebe a doação porque é de graça mesmo sabendo que não necessita daquilo.

Ouve um relato, no qual o motorista e os membros responsáveis por trazer a doação, foi encaminhado por certa entidade a descarregar os produtos em um determinado local, mas chegando lá, viram com os próprios olhos que o local não era adequado para armazenar aquele tipo de produto no qual eles estavam transportando... desta forma, eles se negaram a descarregar.

#Neste caso, se eles resolverem parar em algum lugar e sair distribuindo tudo diretamente para a população, não posso tirar a razão deles, pois é melhor dar para que alguém consuma do que deixar estragar em algum galpão tosco da vida.


Desta forma, acredito que a falta de uma central de informação aberta, prejudica a assistência que está chegando na cidade para beneficiar realmente o necessitado de menor renda, ou aquele que se encontra em locais mais distantes ou de difícil acesso devido a toda esta tragédia que atingiu nossa cidade.

Acredito que a assistência a logística para o perfeito encaminhamento do que está chegando as cidades, deveriam iniciar logo no primeiro ponto de acesso à essas cidades, mas não vi isso em Friburgo, não há nada no posto policial no alto da serra de quem vem por Cachoeiras de Macacu ou de quem vem por Teresópolis, não posso falar nada da entrada da cidade de quem vem dos lados de Bom Jardim ou Duas Barras, pois não fui para aqueles lados.



O que descrevi acima ocorreu em minha cidade, mas pode estar ocorrendo também em outras cidades que foram abaladas por este desastre ambiental.

Peço que você que está lendo, não deixe de contribuir e ajudar na medida em que lhe seja possível, mas que se certifique que a necessidade que chegou aos seus ouvidos seja verdadeira e que o destino de sua doação chegue realmente a quem precisa.

[]´s a todos!!!

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