quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Nova Friburgo


Por Márcio Madeira

De um lado, o pesadelo.  

Uma madrugada sem dormir, a falta de luz, o alto barulho da chuva vencendo um silêncio de tensão compartilhada. Ta chovendo demais, ta chovendo demais. Pela janela a luz de relâmpagos revela a rua alagada, enquanto o estrondo e o chacoalhar de um carro que tentava escapar revelam o enorme buraco escondido pela água escura. O dia amanhece, os olhos ainda exploram os estragos visíveis, quando o som indescritível de uma avalanche anuncia algo de grandioso acontecendo. O coração dispara, o olhar se volta para a esquerda, e a consciência duvida do que os olhos estão vendo. Todo o morro esta descendo. É muita, muita terra. O entulho some da vista, escondido pelos prédios. Um forte estrondo é ouvido, surge uma gigantesca nuvem de poeira. Não era encosta, não havia falhas na topografia nem tampouco casas em local de risco. É mata nativa, reserva natural. Se ali está desabando, então todo o resto já terá caído.

O pensamento se volta para os amigos que ali residem. Nomes, rostos. Corremos para o telefone. Mudo. Ainda chove forte, mas é preciso ir lá ver.

Há lama e destruição por todos os lados, pessoas choram e correm. Na rua anterior um verdadeiro rio impede a passagem, permitindo apenas ver um caminhão dos bombeiros esmagado por entulhos. “Seis bombeiros morreram” – alguém diz, aos prantos. Não era boato. Mais alguns minutos e a chuva
para.

Podemos chegar mais perto.

Corpos passam em macas o tempo todo, bombeiros perguntam se alguém tem experiência em primeiros socorros ou reanimação. É difícil saber qual a melhor forma de ajudar. Amigos de infância estão debaixo de uma montanha  de lama e escombros, onde antes havia belas casas tradicionais. Uma grávida é resgatada enquanto dá à luz um filho morto. Do outro lado da praça, a água cobre carros e pontes, invade o shopping. Pessoas buscam lugares elevados, cachorros nadam a seus lados. Há pânico e informações desencontradas por todos os cantos. “A igreja de Santo Antônio está destruída”, “o teleférico acabou”, “edifício tal está para cair”, “fulano de tal morreu”, “estrada tal está interditada”, “tal bairro não existe mais”.

Uma volta pela cidade começa a dar a dimensão da tragédia, enquanto a luz não volta e não é possível ver os jornais. A coisa foi grande, foi muito grande. Devem estar tentando falar com a gente, querendo notícias.

O drama extrapola os limites da zona atingida. Não há como tranqüilizar amigos ou parentes. Voltamos para casa. A comida na geladeira ameaça estragar. É preciso fechar o registro de água, para que a lama e o esgoto não contaminem o que resta na cisterna. É preciso economizar. Há pessoas  presas  em elevadores, e a luz não voltará em menos de dois dias. A subestação foi afetada, postes caíram, e há fios de alta tensão entre os escombros, onde também há vazamento de gás. O comércio está fechado, hospitais estão isolados e/ou destruídos, não há gasolina. Amigos se reencontram e cumprimentam em silêncio. Não cabe perguntar se está tudo bem, é preciso buscar novas formas de saudação.

O sol se põe, é preciso tentar dormir. Mas como? Bateria do celular começa a acabar, na eterna busca por sinal. Lanternas e velas se esgotam apesar  do racionamento. O mundo fica cada vez mais escuro, somos todos cegos. A noite se arrasta no medo de que volte a chover. Um banho rápido e gelado no escuro talvez ajude a passar o tempo e a diminuir um pouco a sensação de angústia e tensão.

O sol torna a nascer. Parentes de vítimas não se afastam dos montes de escombros. Passaram a noite por lá. Não existem ônibus circulando, pessoas caminham dias inteiros. O dinheiro é curto, bancos e caixas eletrônicos não funcionam. Filas se formam nos poucos estabelecimentos que se atrevem a funcionar. A entrada de pessoas é controlada, pois há medo de saques. Os preços se multiplicam, uma única vela pode custar até dez reais. Revolta e tristeza invadem a alma: “há necessidade disso? Já não sofremos o bastante?”.

A presidente está na nossa rua, os helicópteros não param. “A coisa deve ter sido ainda maior do que parece” – pensamos. Ainda sem luz, não temos tanta noção. A cidade se enche de bombeiros, policiais, homens do BOPE, da Guarda Nacional. O Exército também está aqui, é muita gente trabalhando.

Na praça ergue-se um hospital de campanha; no Instituto de Educação um IML é improvisado. Um médico pede um pouco de pomada descongestionante, pois o cheiro dos corpos já em decomposição começa a se tornar insuportável, e se espalha por toda a cidade.

Uma grande caixa d’água se rompe num bairro afastado. A notícia ganha proporções catastróficas no boca-a-boca de uma população apavorada. Interfone e telefone tocam ao mesmo tempo. “Corre que a represa rompeu, vai inundar a cidade inteira, a água vai chegar até o segundo andar”.

Bombeiros apavorados sobem em caminhões, doentes são transportados para os andares superiores de hospitais improvisados, pessoas são pisoteadas e atropeladas, ou brigam ferozmente por uma vaga nos caminhões que abandonam o centro à toda velocidade.

Não haveria volume d’água na maior represa da cidade que fosse suficiente para causar nem um milésimo do que era alertado, mas pouca gente consegue pensar calmamente quando até mesmo os militares estão em pânico. Alarme falso, terror real.


De outro lado, a esperança.

Caminhões com donativos começam a chegar um após o outro, enquanto pessoas surgem de todas as cidades dispostas a ajudar. Os telefones começam a tocar timidamente, ainda é difícil conseguir contato. Do outro lado da linha vozes amigas choram de alívio a cada alô.

Boas notícias surgem, de vez em quando. Existem sobreviventes, algumas pessoas são resgatadas com vida. Em Friburgo, no bairro de Duas Pedras, o morador da casa mais alta, próxima à Fundação Getúlio Vargas, sente a estrutura de sua casa balançar e sai de imediato. Desce a rua no escuro e debaixo de chuva dando o alarme do desabamento iminente aos seus vizinhos.

O morro desaba, mas nenhuma vida se perde ali. Herói da vida real prefere o anonimato.

O trabalho no voluntariado consola e renova. A sensação inigualável de servir e ser útil, a admiração por ver pessoas de fora trabalhando tanto ou mais que nós, os interessados. Descarregar um caminhão dá muito mais trabalho do que parece, descobrimos isso rapidamente. E imaginar que, em algum lugar do Brasil, este mesmo trabalho estafante foi feito com alegria por pessoas que nem sequer nos conhecem…

A ajuda material é, a um só tempo, útil e simbólica, pois carrega em si uma mensagem invisível. Sacia as necessidades do corpo, cura as doenças da alma. Uma garrafa d’água não é só uma garrafa d’água. É uma declaração de amor e de apoio, de alguém que saiu de casa e foi comprar, levou para o posto de coleta, onde pessoas com amor carregaram o caminhão. É, portanto, material sagrado. É sacrifício do povo, é atitude, é gente comendo menos para que outros possam comer alguma coisa. É carinho materializado.

Nos hemocentros, filas se formam com doadores. Doadores de sangue, doadores de vida. Gente que literalmente deseja dar parte de si mesmo ao próximo.

Impossível se manter o mesmo diante de tantas forças, sejam elas tristes ou bonitas. De certo modo, é justo dizer que todos nós morremos debaixo do lamaçal. Não somos mais os mesmos, nem temos o direito de ser.

A consciência sobre as bênçãos e responsabilidades de simplesmente estar vivo se amplia indefinidamente. Continuamos aqui, por algum motivo.

Estamos sendo abraçados, protegidos. É preciso justificar isso, é preciso trabalhar, honrar os que se foram, e os que estão ajudando. A vida nos deu uma página em branco. É preciso reconstruir, e fazer uma cidade melhor e mais segura do que antes. É preciso renascer, tornar-se uma pessoa melhor e menos alienada, abandonar o superficial e voltar os olhos ao essencial. É preciso ajudar a quem precisa, dividir o que se tem. Há que brotar vida verdadeira desta mesma lama, adubada por tantos amigos inesquecíveis que por lá pereceram.

A luz voltou, e os jornais falam em tragédia anunciada. Meia verdade. Em Petrópolis e Teresópolis choveram 130 mm. Em Friburgo foram 182. Em algumas cidades a tragédia de fato se concentrou em bairros periféricos e casas em locais de maior risco. Em Friburgo, reservas naturais e mansões desabaram da mesma forma. Casas de classe média alta, a 200 metros de encostas, foram soterradas. Não houve distinção. Falar em drenagem ou muros de contenção diante de tamanha potência é fazer piada de mau gosto. Útil, sim, seria um plano diretor livre de demagogias, e um sistema de alarme eficiente, como o herói anônimo de Duas Pedras.

Chega o domingo, e com ele os primeiros raios de sol. Faz um dia bonito, apesar da poeira, e quando começa a anoitecer o céu assume uma coloração azul deslumbrante. Uma leve brisa sopra pelas ruas desertas, e, por um instante, as sirenes dão uma trégua. Fecho os olhos por alguns segundos torno a abri-los. Perco o olhar nas estrelas e me deixo levar. Em minha cabeça ouço nitidamente a voz vigorosa de Renato Russo cantando.

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã…”

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A desinformação prejudica as Doações

Neste fim de semana, pude ajudar em tempo integral me tornando um voluntário na causa social que é restabelecer o mínimo de dignidade para as pessoas e para o ambiente em que vivemos e convivemos em nossa cidade, nisso, incluo os animais que são os nossos amigos o ano todo, e neste momento de sofrimento, não podendo estes ter o dom da palavra para pedir ajuda, precisam mais do que nunca de nós.

Nestes dias, convivi com diversas representantes de entidades e pessoas ligadas a vários setores que estão atuando nesta causa solidária as vítimas diretas e indiretas no desastre que aconteceu na semana passada na região Serrana.

Percebi três coisas fundamentas:

1º A solidariedade humana é muito grande, maior do que podemos imaginar.

É tanta coisa chegando à cidade, caminhões, caminhonetes, carros de passeio, voluntários locais e vindas de vários outros lugares do país para poder ajudar que é quase impossível mensurar quantas pessoas se envolveram e estão estendendo a mão, seja em forma de doação, prestação de serviço voluntário ou mesmo um ombro ou um sorriso para tentar apagar um pouco do sofrimento das lembranças destes que sofreram na pele toda catástrofe sem precedentes na história do Brasil.


2º A falta de informação para o destino de doações.

Muitas pessoas estão chegando à cidade sem saber para onde devem se encaminhar com a carga que estão trazendo em seus veículos.

Muitas pessoas chegam a cidade, arrecadando doações por ouvirem dizer que a situação X ocorreu desta forma e necessitam de tais coisas, porém, a situação X ocorreu de outra forma, e a necessidade na verdade é outra. Sendo assim, sua carga não se torna útil para a quem se pretendia ajudar.

Desta forma esta carga pode ficar em um local onde o foco de atendimento não consegue encaminhar a doação para os necessitados de direito.


3º Falta de escrúpulos entre Necessitados e Aproveitadores

Como distinguir um necessitado de um aproveitador? Como reconhecer se a doação está indo para a pessoa certa e não para o aproveitador?

Isso é muito complicado, pois muitas pessoas de posse também perderam tudo, então, você não pode negar alimento, roupas e etc para pessoas que antes do desastre, nos dava a impressão de ter muito dinheiro.


Ouvimos relatos de pessoas que vão a locais de doação, mas chegam lá e querem escolher o que vão receber.

# Quem necessita escolhe ou simplesmente agradece?

Outros relatos dizem que entidades chegaram a determinados locais e saíram distribuindo o que havia no caminhão para quem passasse, porém, os necessitados reais, estavam em um ponto mais afastado e não puderam se beneficiar com a doação.

#Cadê o escrúpulo dessa pessoa que recebe a doação porque é de graça mesmo sabendo que não necessita daquilo.

Ouve um relato, no qual o motorista e os membros responsáveis por trazer a doação, foi encaminhado por certa entidade a descarregar os produtos em um determinado local, mas chegando lá, viram com os próprios olhos que o local não era adequado para armazenar aquele tipo de produto no qual eles estavam transportando... desta forma, eles se negaram a descarregar.

#Neste caso, se eles resolverem parar em algum lugar e sair distribuindo tudo diretamente para a população, não posso tirar a razão deles, pois é melhor dar para que alguém consuma do que deixar estragar em algum galpão tosco da vida.


Desta forma, acredito que a falta de uma central de informação aberta, prejudica a assistência que está chegando na cidade para beneficiar realmente o necessitado de menor renda, ou aquele que se encontra em locais mais distantes ou de difícil acesso devido a toda esta tragédia que atingiu nossa cidade.

Acredito que a assistência a logística para o perfeito encaminhamento do que está chegando as cidades, deveriam iniciar logo no primeiro ponto de acesso à essas cidades, mas não vi isso em Friburgo, não há nada no posto policial no alto da serra de quem vem por Cachoeiras de Macacu ou de quem vem por Teresópolis, não posso falar nada da entrada da cidade de quem vem dos lados de Bom Jardim ou Duas Barras, pois não fui para aqueles lados.



O que descrevi acima ocorreu em minha cidade, mas pode estar ocorrendo também em outras cidades que foram abaladas por este desastre ambiental.

Peço que você que está lendo, não deixe de contribuir e ajudar na medida em que lhe seja possível, mas que se certifique que a necessidade que chegou aos seus ouvidos seja verdadeira e que o destino de sua doação chegue realmente a quem precisa.

[]´s a todos!!!

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

25 de novembro de 2010

Este dia será histórico.

Faz tempo que não escrevo em meu blog, isso se deve a vários motivos que agora não vem ao caso, porém, o que me trouxe de volta foi um fato que deve ser considerado um marco, e que deverá trazer um princípio de esperança para o Rio de Janeiro.

A 5 dias, a cidade do Rio de Janeiro vem sofrendo atentados terroristas "Mapa dos ataques no Rio" provenientes de traficantes descontentes com a política do governo atual. Devo destacar que Sérgio Cabral é o cara e o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame o seu braço forte, sem eles, poderíamos até estar sem conflitos evidentes na televisão, e muitos moradores de comunidades ainda estariam com medo de sair e entrar em suas casas.

PS: Não sou partidário de ninguém, porém, não posso deixar de constatar uma realidade.

Citando o presidente Lula, nunca antes na história deste país se teve tanto empenho em retomar áreas dominadas por bandidos em uma escala como a que está acontecendo neste estado.

É claro que uma coisa assim não é fácil, mas se queremos segurança para o futuro de nossos filhos, ovos terão de ser quebrados ou atropelados para isso acontecer.

Infelizmente, a transição sempre afeta os mais necessitados.

Ontem, vimos uma ação conjunta que entre Bope e Marinha fazem megaoperação com blindados no Rio que foi fundamental para encorajar os cariocas de que há esperanças para o futuro.


Ontem, a característica que conhecíamos da bandidagem carioca, das cenas clássicas de filmes como "Cidade de Deus","Tropa de Elite" e outros que perduram nas mentes dos cidadões, que é a visão de uma meia dúzia de bandidos nas lajes de casas da favela... não é bem assim. Claro que a instalação das UPP´s fiz a maioria deles se refugiarem em um local específico, que neste caso foi a Vila Cruzeiro, porém, vimos que eles não são apenas um grupo armado, e sim, deveriam ser considerados uma força militar inimiga.

Quando o Bope e a Marinha iniciou a sua operação e partiu para cima deles, vimos os corajosos bandidos que adoram exibir suas armas, colocar o rabo entre as penas e fugir desordenadamente como cão assustados.

Essa, é a mensagem que o estado deve usar e fortalecer, para continuar neste caminho e quem sabe, conseguir livra o Rio de Janeiro deste mau que aflige a população a décadas.

Obs: Não posso deixar de comentar, que em diversos lugares e com pessoas de classes sociais diferentes, encontrei uma unanimidade em uma opinião que pode até ir contra os Direitos Humanos, mas que é a favor da vida segura dos cariocas.

"Por que na fuga dos bandidos, na estrada de terra e mata entre a Vila Cruzeiro e o complexo do Alemão, a polícia não atirou e matou esses bandidos que estavam com suas pistolas, fuzis e metralhadoras, isto é, armamentos pesados?"

Frases fortes que ouvi neste dia:

"Tinham de ter jogado um míssil neles". "Faltou ali um helicóptero apache para metralhar todos eles" "Atiradores de elite deveriam ter matado os bandidos em fuga"

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O Mortômetro



48. 49. 50. 51. 52 mortos pela gripe suína. E aumentando! Tá chegando a minha hora...

Cada morte numa cidade diferente dáEnviar uma nova manchete. Como o Brasil tem algo em torno de 5 mil municípios temos aí um potencial gigantesco para ocupar os jornais, rádios e televisões com o alerta: "Mulher morre de gripe suína em Carapicuíba". "Primeira morte por gripe suína em Conceição do Guararapes". "Homem morre em Cururu da Serra com suspeita de gripe suína". É uma espécie de mortômetro, um contador mórbido que a imprensa está utilizando para... para... pra quê hein?
Cerca de dez dias atrás eu estava no auge de uma gripe normal, com tosse e dores no corpo. Sentei na recepção de uma rádio onde daria uma entrevista e fiquei curtindo minha gripe. Um espirro ali. Uma tossida aqui. Até que repentinamente a recepcionista se levanta, cruza a saleta e abre acintosamente as janelas, como que dizendo: "Sai daqui seu infectado!". Me senti parte da minoria oprimida, sabe como é? Eu devia ter ligado pro Lula.

Alguns dias depois embarquei para o Chile para palestrar num grande evento com cerca de 1.000 pessoas na platéia. Olha só: saindo de uma gripe e entrando no meio de uma aglomeração, no segundo país mais infectado pela gripe suína na América do Sul. Suicídio, né? Pois sabe o que vi no aeroporto, nos shopping centers e nos hotéis do Chile? Nada. Ninguém usando máscaras, ninguém distribuindo cartazes, nenhum mortômetro na televisão. Nada. Néris de pitibiribas. Quando desembarquei em São Paulo fui recebido por agentes da Polícia Federal com máscaras azuis. Só faltou a luva de borracha e o álcool para desinfetar. Um horror.

E então leio a manchete da Folha de São Paulo no domingo: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses".

Que loucura é essa hein? E o índice de mortalidade é sempre o mesmo: entre 0,7% e 0,8%. Igual ao de uma gripe normal. Mas... no México o índice é 1,03%. Nos Estados Unidos, 0,57%. Na Inglaterra, 0,14%. Na União Européia, 0,12%. Técnicos afirmam que a divergência se dá pela dificuldade de medir e pelos diferentes critérios utilizados. Em outras palavras: ninguém sabe nada.

E quando ninguém sabe nada a especulação aparece. E nesse ambiente vamos escolher sempre a tragédia. As ameaças de extermínio da humanidade são ótimas para vender jornal, e sempre serão tratadas como algo distante. Mas quando a praga ataca meu vizinho e o vizinho do meu vizinho, vixe!!!

Apelos emocionais são irresistíveis.

Então o apresentador do telejornal mostra o hospital superlotado de gente procurando tratamento contra a gripe suína. E entrevista o infectologista que implora para que as pessoas só se dirijam aos hospitais se estiverem com todos os sintomas. E em seguida o mesmo apresentador volta com o mortômetro: 53... 54... 55. Tá chegando em você, CORRA PRO HOSPITAL!

Olha aqui: tem uma gripe nova por aí , sim senhor. Ela precisa de cuidados básicos ou pode matar, sim senhor. Mas ela mata tanto quanto uma gripe normal. E menos que dezenas de outras doenças com as quais convivemos normalmente, mas que não tem um mortômetro na televisão.

É o mortômetro que cria o pânico. É o mortômetro que manda os ignorantes para os hospitais. É o mortômetro que vende jornal.

"A pandemia que enfrentamos é de estupidez."

by G. Silveira

terça-feira, 7 de julho de 2009

Bala perdida?


Putz... tem coisa que é difícil explicar... vejam só o que aconteceu ontem comigo.

Sai do trabalho tranqüilo da vida, peguei o trem, sendo este dos modelos novos... que por sinal é uma beleza... já próximo de chegar ao meu destino que é a Central do Brasil para fazer a troca pelo metrô e ir para casa, me deparo com a seguinte situação!!!

Saindo da estação Praça da Bandeira, eu, sentado, quetinho no meu canto, com fone no ouvindo escutando a rádio...

De repente escuto um está-lo... não dei muito a atenção, pois a música abafou um pouco o barulho, mas olho para os lados e todo mundo de olho arregalado.... me vêm outro está-lo.... todo mundo se joga no chão.... fiquei alguns segundos sem reação, tentando saber o que estava acontecendo, mas acabei me abaixando por impulso...

Fiquei pensando... que merda é essa, não tem favela por aqui! Aliás, por ali não tem quase nada, pois já estávamos sob o elevado que passa por cima dos canais, já indo em direção a Central do Brasil.

Aos poucos as pessoas vão se levantando, e se dão conta de que aquilo não foi tiro... provavelmente foi algum moleque que jogou pedras no trem...

Muitos começam a esconder o nervosismo sorrindo, tirando sarro com a situação, contando casos que já passaram ou que ouviram falar...

Porém, pela primeira vez, me dei conta que estou no Rio de Janeiro e esta foi uma situação da realidade da qual eu estou sujeito a passar nesta cidade inconsistente, com várias faces, às vezes belas, às vezes negras!!!

É foda!!! A cidade maravilhosa, mas nem todos aqui o são!!!

[]´s a todos!!!

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Banda Larga: Será que você tem mesmo?

"O texto abaixo foi publicado originalmente no site Viva o Linux, mais a repercussão está sendo boa e tem tudo haver com a vida Urgana e Suburbana, pois todos nós queremos uma Internet de qualidade!"

Link original: http://www.vivaolinux.com.br/artigo/Banda-Larga-Sera-que-voce-tem-mesmo/

Introdução

Este artigo foi inspirado no O Globo Digital, que foi às ruas no dia 20 de abril deste ano e que abordou o tema Banda Larga.

O objetivo deste artigo é não deixar que esse tema seja esquecido, colocando em debate a situação atual de forma a solicitar perante nossos governantes uma adequação a legislação específica para este tipo de serviço.

Devido a demora na construção deste artigo, isto é, no desenvolvimento do texto durante o levantamento de informações para um melhor esclarecimento do assunto, foram ocorrendo alguns fatos importantes no qual foi inserido nota adicional, para mostrar que a participação do público, seja ele direto ou indireto na relação de consumo, é importante para que ocorra mudanças favoráveis ao todo, que neste caso, é a melhora do serviço de banda larga no Brasil.

Primeiramente, vamos entender o título deste artigo. No tópico abaixo tentarei esclarecer alguns pontos desconhecidos da maioria dos usuários.



A velocidade da Internet Banda Larga

Não querendo desagradar ou jogar água fria na cara dos caros leitores, ainda sobre os relatos da matéria do O Globo Digital, de acordo com a União Internacional de Telecomunicações (UIT), a verdadeira Banda Larga só é considerada para transmissão de sinal com taxa igual ou superior a 2Mbps, isto é, de acordo com os padrões internacionais você só poderá dizer que utiliza banda larga se recebe e navega com taxa acima de 2Mbps.

No Brasil muitos fornecedores de Internet, principalmente no interior, classificam a banda larga com serviço a partir de 128Kbps, o que estaria no mínimo, muito longe dos padrões internacionais.

Além disso a média mundial de velocidade para a banda larga é de 13Mbps, sendo que aqui no Brasil 90% dos assinantes têm velocidade inferior ou igual a 2Mbps.

Quero deixar claro que isso não é por falta de recursos tecnológicos, pois operadoras como a GVT e NET oferecem comercialmente velocidades com taxas de até 60Mpbs, porém o recurso é restrito a alguns clientes.

O problema se deve em parte por causa do compartilhamento da infra-estrutura existente, onde, como em vários setores do mercado brasileiro, as empresas se posicionam em apenas inflar o serviço e ganhar em cima da quantidade de usuários ao invés de investir e oferecer um serviço melhor, que neste caso, esbarra na supervalorização do investimento, cobrando preços absurdos aos usuários.


Internet - Serviço de Valor Adicionado

No Brasil a Internet é considerado Serviço de Valor Adicionado, isto é, a Internet não é considerado um serviço de telecomunicações, apesar de que grande parte das comunicações realizadas hoje em dia ser realizada através dela.

Com isso a Anatel, que é o órgão que faz a gestão das telecomunicações no país, se vê presa em um dilema: como punir as empresas que fornecem o serviço de acesso a Internet, se o serviço disponibilizado não é considerado de telecomunicações e desta forma, não faria parte de seu quadro de atendimento.

Além deste descompasso com a realidade da utilização do serviço, para aqueles que nunca se interessaram em ver os detalhes, antes, durante ou depois de fazer sua assinatura de Internet, fiquem sabendo que as empresas operadoras de Banda Larga estabeleceram uma cláusula em seus contratos, onde se obrigam a entregar apenas 10% da velocidade especificada no plano de assinatura do usuário, isto é, se você fez uma assinatura de Internet de 1 Mbps, a menos que você receba abaixo de 100kbps de sinal, para a operadora, qualquer valor acima disso é normal, desta forma, se o sinal que chega a sua residência ou empresa for superior a 10%, mas muito abaixo da sua perspectiva, como por exemplo 512kpbs, o papel deles como operadora estaria sendo cumprido.

É claro que a operadora não fica de braços cruzados e tenta agradar o cliente ao máximo, se esforçando para resolver o problema e fornecer o sinal de acordo como foi anunciado, mas judicialmente eles estariam resguardados e o consumidor não teria em mãos um motivo real para recorrer ao direito no qual ele pensa que tem.

Porém, desta forma, a operadora pode e faz a superlotação de usuários para utilizar o mesmo canal de acesso a Internet, causando grandes problemas de lentidão no qual todo usuário já está acostumado a sentir em determinados horários. Mas para eles, volto a dizer, isso é normal e aceitável.

Quando paro pra pensar nisso, me lembro da questão do caos aéreo, onde a venda de passagens era superior aos acentos disponíveis nas aeronaves, uma situação normal para as operadoras conhecida como over-books, que só veio a demonstrar o grande problema que era quando centenas de pessoas passaram a ficar amontoadas nos aeroportos porque não conseguiam embarcar nos horários previstos quando realizou a compra de suas passagens.

Até então aquilo era tratado da seguinte forma e desculpa quando você chegava no balcão da companhia para retirar sua passagem:

"Caro cliente, infelizmente neste horário todos os acentos já foram ocupados, irei remanejar sua passagem para o próximo vôo disponível."

Sendo que a partir de um determinado momento, o próximo vôo já estava lotado, e o próximo, e o próximo, e deu no que deu!

O órgão gestor da aviação civil, Anac, era conhecedor desta manobra realizada pelas empresas aéreas, mas só veio a intervir quando viu o drama das pessoas nos aeroportos e pode dimensionar o problema que aquele tipo de atividade causava.

Agora lhe pergunto: Como dimensionar este problema se não poderemos mensurar esta ocorrência de forma agrupada? Como foi o caso dos aeroportos lotados, pois a simples lentidão do serviço, dependendo da taxa de sinal recebida pelo usuário, ainda será considerado dentro da obrigatoriedade dos 10% estabelecida em contrato! Só poderemos reclamar quando o serviço cair de vez?

De acordo com O Globo Digital, Flávia Lefevre, fundadora da Prótese, entidade de defesa do consumidor, afirmou que o governo teve a oportunidade de construir uma política de banda larga, incluindo o serviço no regime público (como expresso na Lei Geral de Telecomunicações), por se tratar de serviço essencial à população, mas não foi o que aconteceu.

Se isso tivesse acontecido, seria possível impor metas de qualidade e universalização para as empresas que oferecem este serviço, pois 72% dos serviços de banda larga do país estão nas mãos das concessionárias como a Oi e a Telefônica.

Um dado importante que devemos levar em consideração é que de acordo com a Anatel, em 2000 havia 124 mil acessos registrados para o uso da Internet e em 2008 foram contabilizados 11,4 milhões de acessos. Perceba aqui que a questão dos 10% contratuais era uma situação aceitável e até compreensível em 2000, porém agora, ultrapassados 10 milhões de acessos e a cada dia que passa com mais de uma centena de usuários entrando na rede, isso se torna um absurdo!


Nota 1 - No dia 2206/2009 o G1 apresentou a seguinte notícia:

"Anatel determina suspensão de comercialização do Speedy - Telefônica pode receber multa de R$ 1 mil para cada novo acesso. Empresa também terá de apresentar plano para garantir disponibilidade."

Link para a notícia: Anatel determina suspensão de comercialização do Speedy

Essa medida se deu após vários problemas que ocorreram em São Paulo com esta operadora, alguns destes problemas foram citados como provenientes de ataques de hackers. Mas há de se convir que a coisa estava ficando feia e já era um problema previamente anunciado.

Podemos considerar esta atitude como um marco na história da Internet no Brasil, e esperemos que a partir disso outras intervenções aconteçam para melhorar este serviço.


Nota 2 - No dia 26/06/2009 o UOL Tecnologia apresentou a seguinte notícia:

"Justiça do RJ determina que Net resolva problemas de Virtua.

A Net Rio, empresa responsável pelo serviço de internet banda larga Virtua, deverá resolver todas as falhas referentes ao serviço prestado em um prazo de 48 horas, após determinação da juíza Roberta Barrouin Carvalho de Souza, publicada ontem (25).

Além disso, a Net Rio deverá cumprir todas as ofertas promocionais feitas a seus clientes, sob pena de multa diária de R$ 10 mil, caso não cumpra a decisão. A ação foi enviada à Justiça pelo Ministério Público Estadual, após grande volume de reclamações feitas por consumidores à Anatel."

Link para a notícia: Justiça do RJ determina que Net resolva problemas de Virtua


Comparando preços com outros países

De acordo com O Globo Digital, dados levantados pelo IDC em 2008 demonstram que ainda por cima, estamos pagando caro se fizermos uma comparação com outros países da América Latina ou com países da União Européia. Veja abaixo os valores apresentados na consulta sobre velocidades mínimas e grandes velocidades.

Esta desproporção é motivo de crítica de grandes nomes do mercado nacional relacionados à área de TI e Telecomunicações do Brasil.

Se fizermos uma consulta pública sobre a situação nos quesitos de: qualidade, atendimento, preços e satisfação, o que você acha que irá acontecer?


Conclusão

Quero deixar claro que este artigo não é um desabafo, mas sim um manifesto no qual eu não encabeço a lista, pois como citei há grandes nomes da área que não concordam com o patamar atual da Internet no Brasil, e esperemos que o caminhar das decisões de nossos governantes seja em benefício dos usuários e não das operadoras, visto que ainda há muito mais por vir, pois as necessidades pela melhora na qualidade de serviço não é apenas uma questão de se igualar a outros países, mas sim, um caso de necessidade pública onde há ainda mais fatores que irei apresentar no próximo artigo.


Observação

Comente! Se comprometa! Faça-se ouvir! Sua manifestação é importante para reforçar o coro daqueles que buscam a melhora da qualidade do serviço de Internet no Brasil.

Repasse este artigo para seus amigos e não deixemos os governantes esquecerem que o consumidor necessita e quer mais!

Não esquecemos aqui de parabenizar a Anatel pela atitude que tomou no caso citado em 22/06/2009, porém é necessário continuar fiscalizando para que esta postura de conduta seja revista pelas outras operadoras, assim como a questão dos 10% que é uma ofensa para as questões que gerem os Direitos dos Consumidores.

Próximo artigo - Banda Larga: A Internet na beira do Abismo.

[]´s a todos e até o próximo artigo!!!

Jefferson Estanislau da Silva

quarta-feira, 25 de março de 2009

Praia de Paulista

Ontem no fim da tarde vi uma notícia que me chamou a atenção... “Afilhada de Rita Cadillac é autuada por fazer topless em praia de São Paulo”.

Nem sabia quem era essa tal afilhada da Rita, porém, o que me chamou a atenção mesmo foi o fato dos Paulistas se sentirem ultrajados por ver um topless... kkkk

Putz, como é triste ser Paulista... suas cidades vivem com dezenas de quilômetros de engarrafamentos, seu céu e cinzento, e quando tem a oportunidade de ir a praia e apreciar a paisagem... “e pelo que eu vi na foto é uma bela paisagem”, os caras chamam os guardinhas pra reclamar das moças.

Nossa, é cruel!!!

Há poucas semanas atrás, a mulherada estava com tudo de fora nos sambódromos do Rio e São Paulo, tudo natural, agradável e transmitido pela TV em rede aberta nacional. E isso é assim há um bom tempo.

O topless já se tornou comum pelo mundo da fora, e em pleno ano de 2009 eu leio uma notícia dessas.

Depois alguns perguntam por que o Rio de Janeiro é uma cidade Maravilhosa!

[]´s a todos!!!